Artigos › 16/07/2018

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Tempo desorientado

Não sabemos para onde correr, se para o mato ou para o morro, perdidos na descoberta real de direção na vida. Parece que estamos como “ovelhas sem pastor” num país marcado por lideranças descomprometidas com as necessidades do povo. É como viver num poço sem fundo, num país sem direção certa e cheio de crises nos três poderes que comandam a nação brasileira.

O que faltam mesmo em nossos políticos são as atitudes de compaixão, reconhecimento de que as riquezas do país são de todos os brasileiros e não propriedade de uns poucos. É irreal privilegiar apenas um grupo seleto em detrimento da grande massa totalmente desprotegida. É também lamentável sentir a presença das lideranças apenas nos tempos da campanha eleitoral por causa do voto.

As lideranças políticas precisam ter as atitudes de pastores, assim como fez Jesus em relação ao povo de seu tempo. O abandono significa trair o compromisso assumido de representar as pessoas diante da condução do país. Muita gente fica “ao Deus dará”, perdida e forçada a lançar mão de práticas escusas e ao uso da violência. Isso significa perder a capacidade de uma vida natural e feliz.

A história registra fases diversas na caminhada do povo. As marcas da má gestão não são atitudes de hoje, e é o que vemos também nos textos da Sagrada Escritura. O sofrimento dos pobres perpassa pelos acontecimentos e momentos da vida. Muitas vezes consequência de uma cultura desorientada, mal conduzida e traída por quem foi credenciado para conduzi-la.

Falar de tempo desorientado é provocar nossa sensibilidade para construir um “homem novo”, no dizer do apóstolo Paulo (cf. Ef 2,15). Pois é possível mudar os rumos do Brasil, basta que tenhamos líderes que realmente projetem passos novos, com atitudes também novas, deixando para o passado o que não ajuda mais. Para isso precisamos renovar nossas lideranças votando com critério renovado.

Os brasileiros não estão firmes em sua direção porque não têm um ponto de referência. O descontentamento é geral gerado pela desconfiança em relação a tudo. Falta orientação e condução para colocar o trem nos trilhos e avançar em direção do desenvolvimento sustentável. Talvez esteja faltando o caminho de Deus que conduz as pessoas para trabalhar em benefício do bem de todas as pessoas.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)